ASPROC é selecionada como TOP INNOVATOR em desafio do Fórum Econômico Mundial

Texto: Jéssica Souza A Associação de Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) ficou em segundo lugar entre as 15 iniciativas mundiais selecionadas como inovadoras no desafio das Comunidades Florestais e das Cadeias de Valor (Trillion Trees: Forest Communities and Value Chains Challenge), do UpLink, plataforma de inovação aberta do Fórum Econômico Mundial. Com a proposta intitulada “Manejo sustentável do pirarucu amazônico”, a ASPROC descreveu os impactos sociais, econômicos e ambientais do manejo sustentável do pirarucu e do arranjo comercial coletivo Gosto da Amazônia – sabor que preserva a floresta. Como explicou Ecivaldo Dias, presidente da Asproc, esse reconhecimento a nível mundial mostra o quanto o trabalho das comunidades é relevante para a Amazônia como um todo. “Estamos felizes por todos os manejadores (as) se mostrarem como peças importantes na preservação do meio ambiente, da Floresta. Toda a nossa organização enquanto grupo faz a diferença e isso ter sido reconhecido é muito gratificante”, destacou Ecivaldo. A ASPROC atua na prospecção e execução de projetos socioeconômicos que tragam melhorias de qualidade de vida para as populações tradicionais e garantam a gestão sustentável do território. “O Prêmio Trillion Trees, recebido pela ASPROC, é um reconhecimento internacional dos feitos extraordinários desta organização ao longo desses trinta anos de realizações pela conservação ambiental e a promoção de melhoria de qualidade de vida das comunidades tradicionais na Amazônia, que muito nos alegra e que com certeza reforça o comprometimento de todos envolvidos em fortalecer ainda mais essa luta histórica”, destaca Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes. O Fórum Econômico Mundial é uma organização internacional que tem como objetivo facilitar a cooperação público-privada mundial. Anualmente, o grupo envolvido no Fórum, constituído por grandes empresários, figuras políticas e personalidades influentes, se reúne em Davos (Suíça), para debater questões relevantes para o desenvolvimento socioeconômico do mundo. Os critérios de seleção foram: Impacto ambiental; Impacto socioeconômico; Potencial de inovação; Governança e modelo operacional; Abrangência geográfica; Modelo de negócios; Estágio; e Equipe de gestão. A iniciativa da ASPROC se enquadrou nas três áreas focais do desafio: 1. Empoderamento das comunidades florestais; 2. Manejo sustentável de PFNMs Produtos florestais não madeireiros; 3. Fortalecimento da cadeia de valor do PFNM. “É um reconhecimento louvável por se tratar de uma concorrência internacional, em que o Fórum Mundial busca apoiar ideias inovadoras das comunidades locais que trabalham com cadeia de valor e seus econegócios. Então, acho que só o fato de ter sido uma das ganhadoras mostra o valor e a importância desse arranjo como um todo”, reconhece Leonardo Kurihara, da Operação Amazônia Nativa (Opan), uma das instituições parceiras da Asproc. Além disso, a ASPROC compartilhou com o Fórum Econômico Mundial que sua iniciativa se enquadra em 5 ODS: Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável; Objetivo 5: Igualdade de gênero; Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis; Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima; e Objetivo 15: Vida terrestre. MANEJO SUSTENTÁVEL O manejo sustentável do pirarucu selvagem é uma das iniciativas mais promissoras da Amazônia, pois envolve diversas etapas que garantem a proteção territorial, a conservação da biodiversidade e a geração de renda para as famílias ribeirinhas. A marca Gosto da Amazônia é o braço responsável que garante a comercialização justa do pirarucu manejado, sem atravessadores, e a geração de renda. Com o manejo do pirarucu proporcionamos a conservação ambiental enquanto barramos atividades ilegais e que geram impactos muito danosos à natureza. A cogestão dos recursos naturais com protagonismo dos povos e comunidades tradicionais têm gerado resultados extremamente relevantes ao redor do mundo, uma vez que eles moram, convivem e trabalham no ambiente florestal, são eles também os principais guardiões de fauna e flora. O manejo do pirarucu inclusive é uma solução de origem tradicional e científica que deu uma alternativa a escassez de pirarucu diante da sobrepesca da espécie nas décadas de 60 a 80. A conquista irá viabilizar que a ASPROC e o Gosto da Amazônia façam parte da UpLink Innovation Network, um programa com curadoria projetado para Fundadores, CEOs ou Diretores Executivos. E, dessa forma, ter oportunidade de Participar do Fórum Econômico Mundial; expor seu negócio nas redes do Fórum e UpLink; fazer conexão com outras organizações que fazem parte do Fórum e UpLink; e receber suporte técnico, comercial e operacional para alavancar seu negócio. Logo, é mais uma oportunidade de expor o que a ASPROC faz para o mundo. E poder participar desses espaços de troca de conhecimentos e experiências com outras organizações que atuam em atividades da sociobioeconomia e grandes investidores e líderes mundiais. O desafio é liderado por 1t.org e apoiado pela Amazon Investor Coalition, Barka Fund, Earthday.org, Food and Agriculture Organization Inter-American Development Bank, Reforestamos, SOS Sahel e The Balipara Foundation.
Fish Of Change visa romper as fronteiras do mercado nacional e levar o pirarucu de manejo sustentável para o mundo

Iniciativa tem como objetivo inserir o gigantesco peixe Amazônico no mercado internacional Amostras de pirarucu, aproximadamente 100 quilos do produto congelado, chegaram a Vancouver, no Canadá e a Hong Kong. Esses foram os primeiros envios internacionais de amostras para que os chefs de gastronomia e importadores conheçam o produto. A iniciativa faz parte do projeto Fish Of Change que prevê a consolidação do pirarucu de manejo sustentável no mercado interno e a oportunidade de inserir no mercado internacional um produto carregado de valor social e ecológico. A exportação do pirarucu surge como uma grande janela de oportunidade. A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc) coordena um arranjo comercial inovador entre as áreas produtivas de diferentes regiões e se torna a primeira organização de base comunitária a exportar o pescado. Dessa forma, o pirarucu pode se tornar o grande símbolo da bioeconomia Amazônica por alinhar a conservação da biodiversidade com as aspirações das comunidades locais e oportunidades de mercado. O projeto conta com diversas parcerias e apoio estratégico do Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS), dentro da cooperação técnica entre o Brasil e os Estados Unidos. “O programa Brasil tem um olhar voltado para a conservação da biodiversidade e o modo de vida das pessoas, esse projeto representa esses dois pilares. Estamos agindo também frente às mudanças climáticas, dialogando com o setor privado e as áreas protegidas”, explica Jayleen Vera, gerente do programa USFS no Brasil. Desafios Os desafios e o processo para a exportação são complexos, o projeto precisa assegurar uma qualidade rigorosa do pescado até os outros países. A primeira experiência de envio internacional possibilitou a criação de um protocolo de exportação aérea, que irá nortear as futuras remessas de amostras. Espera-se que ao atingir pedidos comerciais em maior escala, o meio de escoamento do produto seja feito por contêiner frigorífico via porto para diminuir os custos logísticos. “Acreditamos que essa etapa de envio é o coração do projeto, que nos ensinou as dificuldades burocráticas de uma exportação e as complexas etapas envolvidas para conseguirmos as aprovações necessárias para os envios”, destaca Simelvia Vida, analista de Recursos Pesqueiros do Instituto Juruá e responsável pela articulação da iniciativa Fish of Change. A ideia é expandir a comercialização do pirarucu no Brasil, estreitar os laços com as bases produtivas, aprimorar os processos de beneficiamento do pescado, melhorar a infraestrutura de processamento e a capacidade comercial. “Eu tenho enxergado essa iniciativa como uma oportunidade de tornar o manejo do pirarucu mais conhecido. É uma chance de fortalecer e consolidar esse esforço de melhorar a renda dos manejadores, aliado a conservação ambiental e a uma vida mais digna às comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia”, destaca o assessor da Associação dos Produtores Rurais de Carauarí (ASPROC) e presidente do Memorial Chico Mendes (MCM), Adevaldo Dias. O Fish of Change aborda os principais gargalos do manejo do pirarucu, fortalecendo o mercado interno e desenvolvendo as principais exigências do mercado externo com foco em um mercado de alto padrão que garanta o pagamento de um preço justo aos manejadores. Certificação Fairtrade Ainda no escopo da iniciativa, está prevista a certificação Fairtrade para duas áreas de manejo, nas Terra Indígenas Paumari, no município de Tapauá, e em comunidades do Médio Juruá, no município de Carauari, e da ASPROC, organização que centraliza o arranjo comercial do pirarucu selvagem de manejo. A certificação Fairtrade é um selo global que identifica produtos que foram produzidos e comercializados de acordo com os padrões de comércio justo. Esse selo garante que os produtores envolvidos nas diversas estapas da cadeia de valor recebam um preço justo por seu trabalho e tenham garantidos direitos trabalhistas básicos, como a proibição de trabalho infantil e trabalho forçado. Além disso, a certificação Fairtrade também incentiva a produção sustentável, promovendo práticas que protegem o meio ambiente e a biodiversidade. Estudos mostram que mercadorias com o selo Fairtrade têm uma demanda maior entre os consumidores conscientes, que estão dispostos a pagar um preço mais elevado por produtos que atendem a padrões éticos e ambientais. De acordo com João Campos-Silva, presidente do Instituto Juruá, a inserção do selo no produto gera múltiplos benefícios para os envolvidos no processo. “Para a Asproc é importante porque é uma chance de colocarmos o pirarucu em um mercado mais exigente que paga mais caro pelo produto, além disso o selo Fairtrade atesta todo o valor social e ecológico do manejo. Dessa forma, ele acaba sendo uma vitrine para os produtos da associação”. Segundo Campos-Silva, para as comunidades que realizam a pesca, ter o selo nas embalagens também é muito interessante. O selo Fairtrade tem alguns mecanismos de benefícios financeiros, que além de gerar mais renda com a venda do pescado, exige um arranjo produtivo coletivo e entrega um prêmio anual aos participantes por cumprirem as exigências. “Esse prêmio é um volumoso recurso que pode ser usado para a manutenção dessa estrutura organizacional do arranjo. Então, o selo fortalece bastante o arranjo, tanto pela geração de renda direta, como pelo incremento de dinheiro para a manutenção da estrutura organizacional. Estamos trabalhando nos desafios de implementação, mas temos dado passos significativos para que a Asproc seja a implementadora do selo”, garante. Está previsto, ainda, a criação de uma nova marca com identidade visual própria para comercializar o pirarucu no mercado internacional. “Enxergamos um grande potencial para que o pirarucu seja consumido no mercado internacional por duas razões: oferecer um novo produto a novos mercados e elevar a conservação da biodiversidade em conexão com um produto específico”, destaca Jayleen. Para Adevaldo Dias a parceria com o USFS é fundamental para a construção do caminho para a exportação, que além de ter custos altos, apresenta desafios burocráticos e logísticos. “O apoio do USFS possibilita novos aprendizados. Estamos experimentando algo novo para todos os parceiros: a OPAN, o Instituto Juruá, o MCM, a Asproc e o próprio USFS. Isso vai nos permitir aplicar esse conhecimento para a exportação de outros produtos extrativistas”. Histórico O trabalho do USFS para o desenvolvimento sustentável da cadeia de manejo do
Na seca amazônica, ASPROC abastece polos comunitários no Médio Juruá

Viver na Amazônia é um desafio diário. E esse desafio é enfrentado principalmente pelas populações da floresta que tem como única via de acesso, os rios. No município de Carauari, no Amazonas, as comunidades ribeirinhas já estão enfrentando dificuldades devido à seca severa no trecho médio do rio Juruá, o que torna o acesso aos centros urbanos mais difícil e as distâncias percorridas maiores ainda. É nesse período da seca, principalmente no ápice dela, quando os rios ficam extremamente rasos, que os ribeirinhos experimentam a maior dificuldade com a logística. E este é um ciclo anual que requer paciência e coragem de quem lida com as dinâmicas da floresta Amazônica. Há 30 anos a ASPROC atua na região do Médio Juruá e a cada ano que passa busca desenvolver estratégias capazes de enfrentar os desafios postos. Sempre avançando e promovendo a melhoria da qualidade de vida das comunidades agroextrativistas envolvidas na mobilização social da região. Mesmo diante da ameaça de trechos intrafegáveis, devido a seca, a ASPROC empenhou esforços para garantir o abastecimento das comunidades com alimentos e itens básicos e para fazer o escoamento da produção familiar, promovendo a segurança alimentar e geração de renda há mais de 600 famílias. Isso porquê a ASPROC mantém um capital de giro e uma estrutura (embarcações e polos de abastecimento e armazéns de produção) para manter o atendimentos as famílias e, especialmente, auxiliá-las nos momentos mais difíceis para quem vivem as margens do rio, em meio a Floresta Amazônica. Na primeira quinzena do mês agosto, a ASPROC iniciou mais uma viagem de comercialização. Essa é uma das ações do programa Comércio Ribeirinho de Cidadania e Solidário (CRCS), exemplo de economia solidária, coordenado e idealizado pela própria base. Neste momento, 13 comunidades polos (polos comerciais) estão sendo abastecidas com 120 toneladas de produtos industrializados definidos como prioritários pelos associados, incluindo gás e combustível. A partir desses 13 polos, mais 42 comunidades da região podem usufruir da comercialização justa e solidária, aumentando o poder de compra das comunidades agroextrativistas. Nessa mesma viagem, os associados enviam pela embarcação a produção local, como farinha, borracha e objetos artesanais. Esses produtos da Sociobiodiversidade, estimados em 60 toneladas, são transportados para a sede do município de Carauari e para Manaus, para comercialização coordenada pela ASPROC. O técnico da ASPROC, Robson Cunha, além de coordenar a viagem de comercialização, registra a realidade da região com um olhar envolvente e contemplativo.
O combate ao garimpo e os impactos da exploração de gás no rio Juruá são debatidos por lideranças locais, órgãos públicos e instituições parceiras

Com a presença do Ibama e do ICMBio, movimento social do Médio Juruá se reúne para definir estratégias que impeçam novas investidas do garimpo ilegal na região. Por Clara Machado, Ronnayana Silva e Renato Rocha A manutenção do rio Juruá como um “território livre do garimpo” e a discussão sobre os impactos da exploração de gás foram os objetivos do I Encontro de Lideranças para o Monitoramento de Direitos e Salvaguardas Socioambientais do Médio Juruá. Após a operação bem-sucedida contra uma balsa de garimpo ilegal que atuava no município de Itamarati (AM) em novembro do ano passado, as associações locais e lideranças comunitárias do Médio Juruá passaram a se mobilizar para impedir que o garimpo invista em uma das últimas regiões ainda livres da atividade garimpeira na Amazônia. Neste sentido, o Fórum do Território Médio Juruá, que reúne as associações locais e parceiros institucionais que atuam na região, promoveu o evento em Carauari (AM), entre os dias 21 e 22 de julho, com execução da Sitawi e OPAN, e apoio da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), ICMBio, Memorial Chico Mendes (MCM) e Instituto Juruá. A programação contou com palestras sobre os impactos do garimpo e da exploração de gás em diferentes regiões do país, e foram travados debates para contextualizar as ameaças apresentadas à calha do rio Juruá e encaminhar estratégias de enfrentamento ao avanço dessas atividades no território. As explanações técnicas foram realizadas por integrantes do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), da 350.org, do Instituto Juruá e da OPAN. Apesar de organizado por associações parceiras do Médio Juruá, o objetivo é proteger toda a calha do rio, pois os impactos dessas atividades em uma área impactam o rio como um todo, como destacou José Alves, da Associação dos Moradores Agroextrativistas do Baixo Médio Juruá (AMAB). Rosângela Cunha, presidente da Associação de Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá (ASMAMJ), compôs a mesa de abertura do evento e ressaltou que a contaminação da água decorrente da atividade garimpeira afeta especialmente mulheres e crianças, que se tornam mais vulneráveis por utilizarem diretamente as águas dos rios em seus afazeres domésticos, além de o mercúrio, metal utilizado no processo de garimpo do ouro, causar problemas graves no aparelho reprodutor feminino. “Essa luta é pelo direito de viver”, afirmou a Coordenadora Regional do ICMBio, Wilzer Gonçalves, que participou dos dias de evento. O Ibama também se fez presente através do Superintendente do órgão no Amazonas, Joel Araújo, que firmou o compromisso de “combater, com todas as forças, a chegada do garimpo [ilegal] no Purus e no Juruá”. No evento também foram discutidos os impactos sociais e ambientais da exploração de petróleo e gás na região. Parte do setor energético brasileiro se prepara para iniciar a exploração por meio do fracking, um método de fraturamento das camadas subterrâneas para extração do gás. Também conhecido como “garimpo de gás”, o fracking causa contaminação do solo, rios e do lençol freático. Apesar dos esforços da última gestão federal para a regulamentação desta técnica, ela ainda é proibida no Brasil. Diversos municípios e estados brasileiros também têm editado projetos de lei para a proibição deste método de extração de gás. Durante o evento, as lideranças comunitárias manifestaram oposição à utilização do fracking no Juruá. “Os comunitários não estão contra o desenvolvimento do país e nem contra a exploração de recursos, a luta é contra a forma predatória que é feita. […] O progresso que acreditamos é o fortalecimento de empreendimentos locais. O desenvolvimento do país pode ser feito de outra forma, que fortaleça a cultura e a economia local”, afirmou Manoel Cunha, liderança local e gestor da RESEX do Médio Juruá. Além do Ibama e ICMBio, estiveram presentes a Câmara Municipal de Carauari, as Secretarias de Meio Ambiente de Carauari e Itamarati, representantes dos povos indígenas Deni, Kanamari e Majiha Kulina, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o Conselho Nacional dos Povos Extrativistas (CNS), o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB), e representantes de todas as associações que compõem o Fórum do Território Médio Juruá.
Asproc realiza Reunião de Avaliação e Planejamento do Manejo dos Lagos no Médio Juruá

A Reunião de Avaliação e Planejamento do Manejo dos Lagos do Médio Juruá ocorreu entre os dias 18 e 20 de junho, na Base do Bauana, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari. Foram mais de 230 pessoas participando da reunião, entre manejadores e manejadoras, organizações de base comunitárias, técnicos, pesquisadores e parceiros sociais da ASPROC relacionados ao manejo do pirarucu. O objetivo “Avaliar e planejar o projeto de manejo de lagos do Médio Juruá, a fim de garantir as condições necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais para geração de renda às famílias ribeirinhas da região”. Este evento ocorre anualmente e é considerado o maior Fórum de discussão sobre o Manejo Sustentável do Pirarucu do Território Médio Juruá. Essa reunião é fundamental para que o manejo do pirarucu se fortaleça cada vez mais no território e para que as etapas do manejo ocorram de forma participativa, transparente e eficiente. É nesse fórum que os atores envolvidos no manejo dos lagos se reúnem para avaliar todas as etapas do manejo do ano anterior e iniciam a discussão sobre o planejamento das etapas da safra atual, como: o plano de proteção territorial e vigilância dos ambientes aquáticos, custos e receitas do manejo, estimativa da capacidade produtiva em relação a contagem dos lagos e a organização de cada comunidade para a etapa da pesca. Para José Alves de Moraes, conhecido como Silas, manejador de pirarucu da Comunidade Lago Serrado, localizada na Área de Acordo de Pesca do baixo Médio Juruá a reunião é um momento importante para troca de conhecimento para que todos possam sair mais qualificados para atenderem as demandas do manejo nas comunidades e as exigências do mercado consumidor. “A reunião é para que todas as comunidades tenham ciência do que ta acontecendo e para discutir junto, para que todo mundo saia dali com tudo acertado e com o planejamento decidido coletivamente. Isso é o mais importante. E é um evento que é muito esperado por todos os manejadores e manejadoras, para colocarmos nossas exigências, para colocarmos ali o que erramos e acertamos no ano anterior, para que possamos acertar nesse ano e para que seja um bom planejamento para esse trabalho de suma importância para todo mundo. É para a gente determinar datas, se organizar da melhor forma possível, para que seja um trabalho diferenciado para beneficiar todos e todas.” Além disso, durante o evento foram discutidos assuntos como a rastreabilidade do pirarucu de manejo sustentável, o projeto de exportação do pirarucu (Fish of Change) e as perspectivas de obtenção de selo por comércio justo, os Regimentos Internos do Manejo dos Lagos de cada comunidade e o processo de certificação orgânica do pirarucu de manejo. E ainda, foi dada a oportunidade para os parceiros sociais compartilharem com a plenária as iniciativas e projetos que visam o fortalecimento da cadeia do pirarucu, bem como, apresentassem os apoios diretos para as etapas da contagem e pesca.
ASPROC MARCA PRESENÇA NA NOVA FEIRA DE PRODUTOS ORGÂNICOS E AGROECOLÓGICOS DE MANAUS

A Associação de Produtores Rurais de Carauari esteve presente na nova Feira de Produtos Orgânicos e Agroecológicos da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – ADS. A feira foi inaugurada no dia 23 de junho, no estacionamento do Shopping Ponta Negra, em Manaus, e vai acontecer todas as sextas-feiras, no mesmo local, entre 15 e 19 horas. Essa feira representa mais uma conquista do movimento agroecológico e orgânico do Amazonas, representado pela Rede Maniva de Agroecologia – REMA. Para Joed Melo, Coordenador do Organismo Participativo de Conformidade Orgânica – OPAC Maniva – instrumento responsável pela formalização da produção orgânica via Organismo de Controle Social (OCS) e Sistema Participativo de Garantia (SPG) junto ao MAPA, essa feira é mais uma conquista do movimento agroecológico do Amazonas. “Vale ressaltar que a gente vem pleiteando via Conselho Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica do Estado do Amazonas (CEAPO) esse espaço coletivo que possa integrar todo o movimento agroecológico, porque é de suma importância termos um espaço grande, com a cara do movimento agroecológico e que agregue todo mundo, entre produtores e consumidores. Então, essa feira em parceria com governo, via SEPROR, ADS e IDAM, vem para fortalecer o movimento e aumentar nossa perspectiva de vendas, com número maior de consumidores, para que possa gerar resultados para todos os produtores e produtoras. Só de termos um espaço na Ponta Negra, é uma vitória! E vamos continuar ocupando os espaços que vão sendo cedidos.” Durante a feira a ASPROC comercializou o seu produto destaque: o pirarucu de manejo sustentável – Gosto da Amazônia: sabor que preserva a floresta – produto de origem extrativista, capturado em lagos e rios preservados por comunidades indígenas e ribeirinhas, e beneficiado em indústria com Selo de Inspeção Sanitária Federal (SIF). Sendo assim, para essa feira a ASPROC priorizou a comercialização do pirarucu de manejo beneficiado em filés, congelado e embalado de acordo com as normas sanitárias vigentes. “A Asproc tem hoje um produto fonte de proteína, de consumo diário e que pode ser comercializado durante o ano todo com o mesmo padrão de qualidade. Esta feira é um espaço saudável e de produtos excelentes.” Comentou Ana Alice, Coordenadora de Comercialização da ASPROC. O pirarucu Gosto da Amazônia é um produto que garante a preservação de grandes áreas de relevância ecológica da Amazônia, garante a preservação da espécie que já esteve em risco de extinção e valoriza os povos e comunidades tradicionais por meio da comercialização justa e solidária. E além do pirarucu, também foram comercializados três tipos de farinha de mandioca: a farinha d’água, ova e a branca, todas produzidas por produtores e produtoras agroextrativistas da região do Médio Juruá, no município de Carauari. Caso não tenha conseguido participar dessa feira, não se preocupe! A feira vai continuar sendo realizada todas as sextas-feiras, das 15 às 19 horas no estacionamento interno do Shopping Ponta Negra, e a ASPROC participará novamente em momentos futuros. Para saber mais, nos acompanhe nas redes sociais: @asprocmediojurua. Além disso, você também pode adquirir os produtos da ASPROC por meio do site: www.loja.asproc.org.br e receber onde preferir.
ASPROC participa do III Seminário de Gestão da Água

Nos dias 17 e 18 de maio a ASPROC participou do seminário realizado pelo Instituto Mamirauá, em Tefé – Amazonas. O objetivo do encontro foi promover o “Diálogo sobre resultados das ações sobre água e sua gestão em cada município, realizadas pelas prefeituras e Instituto Mamirauá; conhecer experiências e resultados inspiradores sobre o tema; Realizar uma avaliação do projeto desenvolvido em seis comunidades e elencar ações futuras.” Esse seminário teve início em 2022 e busca debater, além das tecnologias sociais de água e saneamento, a questão da gestão compartilhada dessas tecnologias. Para que a gestão adequada garanta a perenidade dessas iniciativas tão positivas para os moradores da floresta. A Coordenadora de Políticas Sociais, Helenilde Praxedes, esteve representando a ASPROC e pode apresentar a palestra intitulada “Protagonismo de associação comunitária no acesso à água”. Helenilde comentou que “a experiência foi muito interessante para trocarmos experiências transformadoras que podem refletir na melhoria na qualidade de vida dos ribeirinhos no interior.” Dessa forma, compartilhamos com os presentes as nossas estratégias de gestão compartilhada da água com as comunidades e o resultado do fundo financeiro de manutenção dessas tecnologias sociais, além de outros projetos socioambientais e produtivos que coordenamos. Os participantes se surpreenderam com a transparência, honestidade e empenho da ASPROC de tornar isso possível e comentaram que nós somos uma referência a ser seguida. A ASPROC iniciou em 2019, com o apoio de parceiros, a elaboração participativa de um Modelo de Gestão Comunitária da água no Médio Juruá, na qual 14 comunidades adotaram este modelo e têm realizado a gestão sustentável da água em suas comunidades, com garantia do tratamento e abastecimento de água potável as famílias ribeirinhas. O importante é trabalharmos com honestidade e transparência para garantir que tenhamos a confiança dos nossos associados e, assim conseguir levar a melhoria da qualidade de vida para eles. Dessa forma, eles também se inserem no processo e passam a somar, compartilhando responsabilidades em prol de um mesmo objetivo comum, disse Helenilde Nós ficamos muito felizes de poder compartilhar nossos resultados, que são frutos de um trabalho incansável com o propósito de gerar benefícios para as comunidades extrativistas. Ficamos ainda mais felizes de participar de espaços riquíssimos como esse, onde somos muito bem acolhidos e podemos encontrar novos parceiros para avançarmos nas questões relacionadas aos direitos básicos de todas e todos. Pois acreditamos verdadeiramente que através da coletividade, da troca de experiências e das parcerias, todos nós podemos ir muito mais longe.
Associação comunitária do Médio Juruá apresentou pirarucu de manejo do Amazonas na maior feira de produtos naturais da América Latina

A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) participou, de 08 a 11 de junho, da Feira NaturalTech. Evento é realizado anualmente em São Paulo e reúne as principais iniciativas do mercado de produtos naturais da América Latina. A participação da ASPROC na feira foi viabilizada através da seleção da associação no programa de acesso a mercados Amazônia em Casa Floresta em Pé, realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), AMAZ Aceleradora de Impacto e pela Climate Ventures, que promove uma série de atividades de fortalecimento e fomento a iniciativas de comercialização de produtos e ativos da floresta. O programa montou um estande de quase 100m² na feira, o maior dedicado à Amazônia, compartilhado com 32 negócios de impacto socioambiental e conta uma programação que prevê troca de experiências entre fabricantes e produtores, consumidores finais e redes varejistas buscando trazer visibilidade a ingredientes da sociobiodiversidade amazônica para ampliar seu acesso ao mercado. No espaço dedicado a ASPROC, o principal produto exposto é o pirarucu selvagem de manejo sustentável, implementado desde 1999 no Amazonas e em outros estados da região norte. O manejo garante a sobrevivência do pirarucu, a soberania alimentar das comunidades e assegura renda aos indígenas e povos tradicionais, sendo uma atividade econômica reconhecidamente bem sucedida, que alia produtividade e conservação da biodiversidade. A promoção do manejo sustentável do pirarucu selvagem é articulada pelo Coletivo do Pirarucu, iniciativa criada em 2018, do qual fazem parte a ASPROC e diversas associações de base comunitária, organizações governamentais e não governamentais, além de órgãos de cooperação internacional. A ASPROC coordena o arranjo comercial do Coletivo e da marca Gosto da Amazônia, criada em 2019 com o objetivo de expandir a venda do pirarucu de manejo, abrindo e consolidando mercados nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife. Sobre a participação da associação na feira, Ana Alice, que é coordenadora de comercialização da ASPROC, conta que está animada com a oportunidade de realizar contatos com possíveis clientes, desde consumidores diretos até empresas, e ampliar o mercado do pirarucu, polpa de açaí e farinha de mandioca. “A feira é um espaço diferenciado para divulgarmos e ampliarmos o mercado de produtos da sociobiodiversidade que são produzidos por nossos associados, com destaque para o pirarucu do Gosto da Amazônia, manejado por diferentes áreas do Amazonas”, destaca a coordenadora.
Organizações do Médio Juruá/AM protocolam primeiro pedido de subvenção do pirarucu de manejo.

As comunidades São Raimundo e Morada Nova, representadas pela AMECSARA e assessoradas pela ASPROC, Memorial Chico Mendes e CNS, protocolaram na CONAB, nesta terça-feira, 27/10/2020, o primeiro pedido de subvenção do pirarucu manejado, referente a 34 mil quilos de peixe comercializados, que irá beneficiar neste primeiro momento 45 famílias, com o valor de R$ 28.220,00. O manejo comunitário, coordenado pela ASPROC, é realizado na RDS Uacari, na RESEX Médio Juruá e numa área de Acordo de Pesca, desde 2011. Os manejadores, por meio das organizações comunitárias, protegem o território, planejam, monitoram e comercializam. A produção local desta área, estimada para a safra de 2020 é de 109 mil quilos. À medida que for comercializada, novos pedidos de subvenção serão protocolados e os desafios da documentação exigida dos extrativistas vencidos. A subvenção aos produtos extrativistas vegetais foi conquistada 1999 pela Lei 9.848 e o pirarucu de manejo foi inserido recentemente pela Lei 13.881/20, beneficiando extrativistas que não conseguem comercializar a produção acima do preço mínimo. Portanto, se, na comercialização, o pescador não obtiver o valor mínimo, a política pública garante a diferença para o manejador. Apesar deste valor mínimo não pagar todos os custos do extrativista com o manejo do pirarucu, em especial o custo com a proteção dos territórios e dos recursos naturais amazônicos, de valor inestimável, a Política de Garantia de Preço Mínimo aos Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) reafirma o papel fundamental do homem e da mulher da floresta para a manutenção de espécies ameaçadas da fauna e da flora e para a melhoria da qualidade de vida local. Este momento é fruto de anos de lutas e reivindicações dos manejadores e de diferentes parceiros que estiveram juntos para ter uma Lei que reconhecesse a importância do manejo. Segundo o presidente do Memorial Chico Mendes, Adevaldo Dias, “hoje é o início de apenas mais uma fase no processo de consolidação do manejo comunitário do pirarucu, como um produto imprescindível ao extrativista do Amazonas e à proteção dos territórios amazônicos”.O Memorial Chico Mendes e a ASPROC, com apoio do Projeto Cadeias de Valor Sustentáveis, têm assessorado tecnicamente as organizações no acesso à PGPM-Bio e participam do Coletivo do Pirarucu, formado por instituições públicas, ONG´s, organizações comunitárias e cooperação interacional, atuantes em toda a extensão da cadeia do pirarucu no estado do Amazonas: proteção, formação, planejamento, pesca, comercialização e políticas públicas.
Faça “seca” ou faça “cheia” o Comércio Ribeirinho da Cidadania e Solidário avança e prevê o escoamento de 200 toneladas de produção e de alimentos para o consumo das famílias ribeirinhas.

Mais uma grande cheia impacta o Médio Juruá. Estas imagens demonstram a grandiosidade dos nossos rios, o desafio de viver na Amazônia e a diferença que a organização social faz no Médio Juruá. Este ano vai ser diferente. Muitas famílias já estão prevendo o abandono das casas, pois a suspensão dos assoalhos não vai ser suficiente pra fugir das inundações e da invasão de répteis. Áreas de plantio, normalmente não alagada, já estão em baixo d’água. O Programa de economia solidária “Comércio Ribeirinho da Cidadania e Solidário”, criado pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari – ASPROC, atende há 12 anos mais de 600 famílias em 55 comunidades do município de Carauari, criando oportunidades de produção e renda aos associados. A ASPROC sabe que a economia local não pode parar, por isso agendou, para o mês de março, uma viagem pra abastecer as comunidades, com alimentos e outros produtos de necessidade básica, e escoar a produção agroextrativista, de forma rápida e segura, para ser comercializá-la a preço justo.Quem vive nessa região sabe muito bem que juntos somos e seremos, sempre, mais fortes!