Viagem de Comercialização da ASPROC aos polos do Comércio Ribeirinho fortalece a sociobiodiversidade com abastecimento, acesso a mercados e fomento agroflorestal

Uma ampla ação integrada mobilizou, nos últimos 15 dias, comunidades do Médio Juruá com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico, social e ambiental da região. Apoiada pelo projeto Juruá Sustentável e Solidário, executado pela ASPROC, a Viagem de Comercialização consiste em uma expedição de grande impacto que percorre os 12 polos do Comércio Ribeirinho Cidadão e Solidário (CRCS). A primeira viagem de 2026 contou com a presença da diretoria da ASPROC para interagir presencialmente junto com os comunitários e estabelecer espaços de diálogos avaliativos das ações implementadas no decorrer de 2025. A gestão participativa é a base o alicerce da ASPROC para definir os caminhos a serem percorridos enquanto organização atuante e representativa das mais de 600 famílias associados. O primeiro grande foco é a logística estrutural, colaborando com o abastecimento contínuo dos polos do Comércio Ribeirinho e realizando o escoamento de toda a produção agroextrativista oriunda das comunidades locais. Essa movimentação comercial é essencial para manter os polos comunitários abastecidos e acessíveis pelos associados e gerar renda direta para os produtores que vivem no território. Além do fluxo logístico, a expedição o apoio do Conselho Nacional da Populações Tradicionais (CNS) na emissão do CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) para produtores acessarem mercados públicos e políticas pública de garantia de preço mínimo. O acesso a políticas públicas de mercado garante a comercialização dos produtos da Sociobiodiversidade e valoriza o trabalho no campo e na floresta. Com foco na sustentabilidade e na segurança alimentar, a viagem dedica atenção especial à mobilização territorial e ambiental. Durante as visitas aos polos, está sendo realizado o cadastramento das famílias que participarão de um projeto focado na diversificação da produção agrícola e recuperação de áreas: a implantação de 40 hectares de Sistemas Agroflorestais (SAFs). Através dessa presença constante nas comunidades e nos polos do CRCS, a iniciativa reforça o compromisso de aliar gestão coletiva, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico de ponta a ponta no Médio Juruá. Veja galeria
Justiça Social na Prática: Como o CRCS transforma a realidade ribeirinha no Médio Juruá

Neste Dia Mundial da Justiça Social (20 de fevereiro), a ASPROC reforça que a verdadeira igualdade na Amazônia começa pela garantia de uma economia justa e solidária para os povos da floresta. Quando falamos de justiça social no coração da Amazônia, não estamos falando apenas de conceitos abstratos. Estamos falando da garantia de que o suor do trabalhador ribeirinho será recompensado com dignidade, de que sua família terá comida na mesa por um preço justo e de que a floresta continuará em pé graças àqueles que nela habitam. Por décadas, a realidade das comunidades do Médio Juruá foi marcada por um ciclo de desigualdade. A dependência dos atravessadores (os chamados “regatões” ou “marreteiros”) gerava um endividamento histórico: as famílias compravam mantimentos básicos por preços exorbitantes e eram obrigadas a vender sua produção agroextrativista a valores muito abaixo do mercado. Foi para romper essa engrenagem de exploração que se estruturou, foi criada a ASPROC e consolidado o Programa Comércio Ribeirinho da Cidadania e Solidário (CRCS). Idealizado e gerido pela própria base da ASPROC, o CRCS é muito mais do que um sistema logístico. É o jeito próprio dos extrativistas da região do Médio Juruá produzir e comercializar a produção por meio de suas embarcações, polos comerciais estratégicos e uma rede de “cantinas” comunitárias o programa atua em duas frentes fundamentais: Para garantir que essa estrutura chegue a quem precisa, o projeto conta atualmente com 11 cantinas já prontas e em pleno funcionamento. Elas estão estrategicamente distribuídas nas comunidades de Vila Ramalho, São Francisco, Santo Antonio, Xibauazinho, Bom Jesus e Bauana, na RDS Uacari; e em Novo Horizonte, Nova Esperança, Roque, São Raimundo e Tabuleiro, na RESEX Médio Juruá. Expandindo ainda mais esse impacto, uma nova unidade será construída na comunidade Toari. Além da geração de renda, o impacto do CRCS beneficia 2.269 pessoas e cerca de 600 famílias. Esse esforço coletivo eleva a percepção de valor dos nossos produtos e do nosso território. Ao libertar o produtor das amarras financeiras, o comércio solidário devolve a essas populações a sua autonomia. Um grande exemplo dessa valorização é o arranjo coletivo para comercialização do Pirarucu, que envolve diretamente mais de 230 famílias manejadoras que comercializam produção num valor de 30% acima do praticado no estado. Esse arranjo garante que a história de quem maneja o peixe de forma sustentável seja reconhecida e respeitada até chegar à mesa do consumidor, conectando os dados econômicos às pessoas reais que fazem isso acontecer. Uma comunidade que consegue viver bem dos recursos naturais, com dignidade e segurança, torna-se a principal guardiã do seu território. A justiça social proporcionada pelo comércio justo é, portanto, a ferramenta mais eficaz para a conservação ambiental no Médio Juruá. Neste 20 de fevereiro, celebramos as conquistas de cada produtor e produtora que, através da união, provam todos os dias que um modelo econômico justo, solidário e sustentável na Amazônia não só é possível, como já é realidade.