Três lideranças femininas participam do Gastrodiplomacy Bootcamp 2025, na Itália, conectando cultura alimentar, justiça climática e bioeconomia regenerativa
Uma formação imersiva reune dos dias 14 a 19 de julho, chefs, pesquisadores, formuladores de políticas e empreendedores sociais de diversas partes do mundo com o objetivo de usar a gastronomia como ferramenta de transformação sistêmica e diplomacia cultural.
Realizado pelo Future Food Institute em Pollica, na Itália, o programa de gastrodiplomacia combina oficinas interativas, mentorias, visitas a produtores locais e desafios de inovação em grupo. A iniciativa integra um ecossistema de ações conectadas à sustentabilidade, cultura alimentar e políticas globais, e tem como referência a “Food for Earth Toolbox”, desenvolvida em parceria com a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
Com apoio da Amazon Investor Coalition (AIC), e à convite de Future For Food Institute, três importantes lideranças femininas ligadas à cultura alimentar amazônica participam do programa, ilustrando, em diferentes dimensões, a potência transformadora da alimentação:
Bioeconomia regenerativa — Fabiana Pinheiro (@fabianapinheiro)
Chef à frente do restaurante Sallva, em Brasília, Fabiana Pinheiro é embaixadora do projeto Gosto da Amazônia, que valoriza o pirarucu selvagem manejado de forma sustentável por comunidades ribeirinhas do Médio Juruá e de outras áreas na Amazônia, em parceria com a ASPROC (Associação dos Produtores Rurais de Carauari), organização responsável por indicar a chef para esta experiência internacional.
O peixe amazônico, símbolo de conservação e geração de renda local, é o carro-chefe de sua cozinha, acompanhado por uma seleção de ingredientes da sociobiodiversidade brasileira, como os do Cerrado e da Caatinga.
Além disso, Fabiana lidera projetos de formação gastronômica voltados a mulheres e comunidades afetadas por desastres socioambientais, como em Brumadinho (MG), fortalecendo a geração de renda, a autonomia e o protagonismo local por meio da culinária.
Veja o recado da chef sobre a participação no evento de gastronomia internacional:
Cultura alimentar — Tainá Marajoara (@iacitata_)

Pensadora e cozinheira indígena, Tainá Marajoara é fundadora do Ponto de Cultura Alimentar Iacitata e do OCADHANHA – Observatório de Cultura Alimentar e Direitos Humanos. Conselheira nacional no CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), é uma das principais vozes nas políticas públicas voltadas à soberania e cultura alimentar, ao direito à alimentação adequada e à valorização da cultura como infraestrutura de bem viver.
Justiça climática — Mara Karipuna (@mara_karipuna)

Mara Karipuna, mulher indígena do povo Karipuna (AP), é vice-coordenadora da Associação Indígena do Povo Karipuna (AIKA) e mestranda em Cultura e Política pela UNIFAP.
Atua na valorização da cultura alimentar indígena, da autonomia territorial e no fortalecimento das mulheres como guardiãs da biodiversidade.
Neste ano, sua comunidade enfrentou a devastação das roças de mandioca — alimento base da dieta Karipuna — por um fungo agravado pelas mudanças climáticas. Sua presença no Bootcamp chama atenção para os impactos da crise climática nos modos de vida dos povos originários e para a necessidade de soluções com justiça e equidade.
Uma campanha pela bioeconomia que parte da comida
A participação das lideranças integra a campanha internacional da Amazon Investor Coalition (AIC), que posiciona a alimentação como porta de entrada para a bioeconomia regenerativa. Alinhada aos Princípios de Alto Nível sobre Bioeconomia do G20, a campanha propõe uma economia amazônica baseada na valorização da cultura, da biodiversidade e dos territórios, com justiça para os que cuidam e mantêm a floresta viva.
“A alimentação é um elo entre cultura, economia e meio ambiente. Quando a Amazônia senta à mesa com o mundo, ela não apenas alimenta — ela inspira, cura e apresenta soluções reais para o futuro de todos nós, afirma Renata Fleck, diretora de campanhas da AIC.