Cadeia produtiva da borracha nativa no Médio Juruá ganha força com o trabalho coletivo da ASPROC no escoamento

O Médio Juruá reafirma sua posição como referência em bioeconomia na Amazônia com o início de mais uma etapa estratégica do escoamento da borracha nativa.

Este ciclo demonstra que é perfeitamente possível aliar a geração de renda ao fortalecimento das comunidades e à manutenção da floresta em pé.

O processo é fruto direto do trabalho de extrativistas e de uma articulação coletiva coordenada pela ASPROC, que organiza e dá suporte logístico e técnico às comunidades produtoras da região.

Nesta etapa, o esforço conjunto resultou no escoamento de 43 toneladas de borracha prensada. A relevância econômica dessa cadeia é comprovada pelos resultados da última safra, que gerou renda direta para cerca de 200 famílias no território.

Esse impacto social é sustentado por uma rede sólida de parcerias estratégicas, envolvendo o Memorial Chico Mendes, o ICMBio, a SEMA, a COOPERACRE e a empresa VEJA, que juntos consolidam um modelo de negócio baseado na responsabilidade socioambiental, garantindo que o desenvolvimento chegue à ponta de forma justa e sustentável.

A operação logística para movimentar essa produção envolve um percurso que integra rios e estradas. A carga sai de Carauari e percorre os 12 polos das Cantinas da Rede de Comercialização Solidária (CRCS), seguindo via rio até Feijó, no Acre. Ao chegar em solo acreano, a produção é transferida para o transporte terrestre e segue de carreta até Sena Madureira, onde é entregue na sede da COOPERACRE.

Diferente de atividades que dependem da retirada da cobertura vegetal ou da degradação do solo, a cadeia da borracha nativa se destaca por sua característica regenerativa. O processo consiste na extração do leite da seringueira sem prejudicar a saúde da árvore, aproveitando sua capacidade natural de recuperação através das boas práticas de manejo.

Na safra deste ano, o envolvimento de 35 comunidades e o trabalho de 180 seringueiros ativos reforçam a missão de viabilizar os produtos da floresta e agregar valor ao trabalho do extrativista, garantindo que o desenvolvimento econômico ocorra em total harmonia com a preservação da diversidade natural da Amazônia.

O sucesso desta etapa reafirma a força das organizações de território, como a ASPROC, na construção de alternativas econômicas que respeitam a biodiversidade e garantem o futuro das comunidades tradicionais.